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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Monitoramento da Estação de Tratamento de Água Guandu (ETAG)

COMO CHEGA A ÁGUA EM NOSSAS CASAS?
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Através do monitoramento da água podemos observar desde o momento da sua captação, quando ainda está na natureza, seu direcionamento à estação de tratamento e os vários processos de tratamento até a sua transformação em água potável
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OBJETIVO
Verificar o processo de tratamento de água, desde a sua captação no Rio Guandu até o consumo, além da obtenção de dados sobre os problemas e dificuldades físicas e políticas enfrentadas pela empresa e por seus funcionários para colocar em funcionamento todas metas instituídas pela empresa.
Segundo os biólogos da CEDAE a água que é distribuída pela Cedae é potável, ou seja, pode ser consumida sem nenhum outro tipo de tratamento. Costumamos utilizar filtros em nossas residências, o que nos garante que qualquer resíduo que possa estar acumulado em nossas caixas de água e cisternas ficará retido.
1. COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DO RIO DE JANEIRO- CEDAE
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HISTÓRICO
Constituída oficialmente em 1 de agosto de 1975, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro- CEDAE é oriunda das Empresas de Águas e Esgotos dos Estados da Guanabara (CEDAG), da Empresa de Saneamento da Guanabara (ESAG) e da Companhia de Saneamento do Estado do Rio de Janeiro (SANERJ). A CEDAE passou a operar e manter a captação, tratamento, adução, distribuição das redes de águas e coleta, transporte, tratamento e destino final dos esgotos gerado dos municípios conveniados do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a CEDAE, a companhia abastece atualmente uma população de mais de nove milhões de pessoas e efetua esgotamento sanitário para uma população de mais de cinco milhões de pessoas, considerando uma taxa de ocupação de 3,61 pessoas por domicilio.. Atende 65 dos 92 municípios do Estado com abastecimento de água e 17, com rede de esgoto.
A CEDAE possui vários laboratórios para controle do seu “produto” – a água. Esses laboratórios estão distribuídos por todo Estado, realizando monitoramento dos parâmetros exigidos e recomendados pela legislação pertinente (Portaria 518/04 – Ministério da Saúde e CONAMA 357/05).
2. RIO GUANDU
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Agenor Lopes de Oliveira (Toponímia Carioca, Coleção Cidade do Rio de Janeiro, 1938, página 29) informa que a palavra Guandu é de origem africana: contração de “guá” saco, enseada com “ndú” ruidoso. Trata-se da denominação do conhecido feijão ou ervilha, muito encontrado, desde o século passado, na região de Sepetiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
DADOS GEOGRÁFICOS
O rio Guandu com seus afluentes, margem direita; Rio Cabral e Rio Piranema e margem esquerda; Rio Santana, Rio São Pedro, Rio Santo Antônio, Rio Queimados e Rio Guandu-Mirim além, claro, do Rio Paraíba do Sul, é formado pelo rio Ribeirão das Lajes, pela vazão de até 20m3/s do rio Piraí e por 160m3/s de água do rio Paraíba do Sul, cerca de 2/3 de sua vazão(60% da sua água).
Originalmente, o rio Guandu era formado apenas pela junção das águas do Ribeirão das Lajes com o rio Santana.. Com isto, a vazão do rio Guandu que era originalmente cerca de 20 m' /s passou a ser aproxi­madamente 160 m/s, o que viabilizou a captação de água neste rio para abastecimento público. Em 1955, a CEDAE iniciou o tratamento da água na ETA Guandu com captação no rio Guandu.
Suas nascentes localizam-se na Serra do Mar, em Barra do Piraí e em diversos municípios. Alguns riachos se unem na represa de Ribeirão das Lajes, que é importante para a regulação da vazão e do nível da água tendo papel importante na economia local. No entanto, com a ne­cessidade do aumento de geração de energia no complexo Light, se fez necessário a utilização da água provenientes do rio Paraíba do Sul. Para que isso fosse possível foram construídas algumas barragens e usinas e elevatórias para fazer a trans­posição da bacia do rio Paraíba do Sul para a bacia do rio Guandu.
Depois disso, recebe águas dos poluídos rios de Queimados, como o Abel e o Poços/Queimados, e os córregos de Seropédica. No Município de Nova Iguaçu, localiza-se a Estação de Tratamento de Água do Guandu, considerada a maior do mundo com uma vazão de cerca de 50 m3/s. Depois da estação de tratamento, recebe as águas do rio Guandu-Mirim e é dividido em vários canais na altura do bairro de Santa Cruz, sendo o principal deles o Canal de São Francisco que serve à importante Zona Industrial deste bairro, em que se encontram a COSIGUA (Companhia Siderúrgica da Guanabara) e a Termelétrica de Santa Cruz, terminando por desaguar na Baía de Sepetiba entre os Municípios do Rio de Janeiro e Itaguaí.
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HISTÓRICO
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O abastecimento do Rio de Janeiro pode ser delimitado por três fases. A primeira, dos chafarizes, com a construção de diversos chafarizes espalhados pelo centro do Rio de Janeiro. A segunda, a fase dos mananciais; do Alto da Boa Vista, Gávea, Andaraí e Jacarepaguá dentre outros e a terceira dos sistemas de grande porte.
Estácio de Sá, ao fundar o Rio de Janeiro, mandou abrir um poço, primeira obra para abastecimento de água para a população. O Poço Cara de Cão, no mesmo tempo da construção do Aqueduto Carioca, hoje Arcos da Lapa. Daí então, foram de desenvolvendo as três fases de abastecimento de água descritas acima.
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O Rio Guandu, com extensão de 108 Km, era um rio de pequeno porte há alguns anos atrás. Mas se tornou um rio bastante caudaloso.
Antigamente ele era usado para a produção de energia elétrica pela empresa Light e para uso industrial. Hoje, é voltado principalmente para o abastecimento de água da Região Metropolitana do Rio de Janeiro abastecendo cerca de 80% da população do Grande Rio.
Atualmente, portanto, boa parte de sua água vem de um importante manancial: o Rio Paraíba do Sul. Na usina hidrelétrica da Light, a jusante de Santa Cecília, é feita a transposição da água, quando o Paraíba do Sul cede cerca de 60% de suas águas para o Guandu, através das canalizações forçadas das usinas. O sistema foi construído em 1952 podendo acrescentar até 180 mil metros cúbicos de água ao que irá se transformar mais a frente no Rio Guandu. Essa transposição encontra as águas do Rio Ribeirão das Lages e desce para formar o Guandu e abastecer o Rio de Janeiro.
3. ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUAS DO GUANDU
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Vista da captação de água da CEDAE no Rio Guandu
A Estação de Tratamento do rio Guandu foi inaugurada em agosto de 1955 e produz hoje, cerca de 43 mil litros por segundo, aproximadamente o triplo da capacidade inicial. Isso significa 3 bilhões e 400 milhões de litros saindo diariamente da ETAG para abastecer os Municípios do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e Itaguaí.. A água que chega na estação vem barrenta e turva, sai pura e cristalina após passar por várias etapas como a tranquilização, floculação, decantação, filtração, clarificação, desinfecção com cloro e finalmente a fluoretação. Os técnicos trabalham no sistema de plantão 24 horas por dia e todas as operações são controladas por equipamentos de alta tecnologia.
4. ETAPAS
BARRAGEM FLUTUANTE
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A CEDAE capta 42 mil litros de água por segundo do rio Guandu, através de barragens flutuantes e sistema de gradeamento que impede a passagem de galhos, plantas aquá­ticas e de qualquer outro tipo de material grosseiro que venha na água do rio. Após este procedimento, a captação a água atravessa dois túneis de aproximadamente 300 metros de comprimento, localizado logo após as tomadas de água no rio Guandu. Nestes canais há a redução de velocidade provocando a sedimentação das partículas mais pesadas.
DESARENADORES
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Do túnel, a água segue para os desarenadores, que são canais, medindo 270 metros de comprimento por 9 metros de largura, e servem para remover areia e materiais pesados que ainda estão em sus­pensão na água. No final ficam localizados as Elevatórias de água bruta (BRG e NBRG). Depois de bombeada a água bruta segue através de 5 grandes adutoras.

FLOCULAÇÃO – CAIXA DE TRANQUILIZAÇÃO

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Depois disso, adiciona-se sulfato de alumínio para que as impurezas se unam em flocos. Durante a floculação, a água torna-se ácida e o pH baixa de 6.8 para 4.4, em época de chuvas. Esta acidez é corrigida ao final do tratamento, quando se adiciona Cal Virgem á água, tornando-a menos corrosiva com o pH acima de 7.0. passa por uma unidade, chamada Caixa de Tranquilização onde são aplicados coagulantes, para aumentar os pesos dos flocos e, após, que seguirá por dois caminhos: Velha Estação de Tratamento (VETA) e Nova Estação de Tratamento (NETA).
Com o auxilio de um sistema avançado de telemetria, os sensores eletrônicos monitoram o pH "on line" 24 h/dia, podendo, desta forma, corrigir instantaneamente qualquer variação indesejada. Mantendo o pH estável em uma faixa ideal, evitamos problemas de saúde e também a corrosão nas tubulações de distribuição de água.
Os flocos formados são conseqüência da união provocada pelos coagulantes químicos com as partículas que provocam o aspecto barrento na água bruta; dessa forma, inicia-se um processo de separação das impurezas da água, que é realizada em uma unidade deno­minada Floculador. Hoje são usados duzentas toneladas por dia de sulfato de alumínio.
DECANTAÇÃO
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Na NETA existem 4 floculadores, mecanizados. Após passar por estas unidades a água floculada é conduzida à grandes tanques de sedimentação denominados Decantadores de fluxo vertical formados por módulos tubulares em forma de colméias que, após a sedimentação das partículas e clarificação, é coletada por calhas e destas conduzidas para 60 filtros de areia e antracto (carvão mineral).

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Na VETA a água passa por nove decantadores onde as partículas floculadas sedimentam pela ação da gravidade. Neste ponto calhas introduzidas nos decantadores conduzem a água clari­ficada para 72 filtros de areia.
 


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CLORAÇÃO
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Após a passagem pelos 132 filtros (72 na VETA e 60 na NETA), a água toma-se totalmente límpida e daí chega a um grande reservatório de contato onde será efetuada a aplicação de Cloro para a desinfecção, permanecendo o tempo necessário para a total eliminação de bactérias e outros microorganismos patogênicos que não tenham sido eliminados nos processos anteriores de tratamento. Posteriormente, adiciona-se Cal Virgem para eliminação total da acidez da água, protegendo as tubulações e equipamentos. Hoje são usados dezoito toneladas dia.
FLUORETAÇÃO
Por fim, tem-se a Fluoretação que é efetuada para o auxílio na prevenção da cárie dentária.
ADUÇÃO
Após o tratamento a água segue para o siste­ma de adução através de dois sub-sistemas:
1. Sub-sistema Marapicu - através de 3 elevatórias com um total de 15 grupos moto-bombas. Aproximadamente 50% da água é bombeada da ETAG para o Reservatório do Marapicu, que será distribuído por adutoras
2. Sub-sistema Lameirão - o restante da água (50%) é aduzido para a elevatória do Lameirão através de um túnel subterrâneo.
Ao longo do trajeto deste nível, várias adutoras estão conectadas para fazer a distribuição para os diversos bairros do Rio de Janeiro.
LABORATÓRIO DE CONTROLE
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A Estação de Tratamento dispõe também de um laboratório de controle de qualidade que realiza análises físico-químicas e bacteriológicas periodi­camente controlando cada fase do processo e garantindo assim os padrões de potabilidade exi­gidos (Resoluções Conama nº 357/2005, Conama nº 274, Conama nº 344/2004, e Portaria N° 518, do Ministério da Saúde). Hoje a nossa água é classificada como classe 2, a 2ª melhor água do mundo.
5. MONITORAMENTO
O monitoramento de qualidade das águas é um dos mais importantes instrumentos da gestão ambiental. Ele consiste, basicamente, no acompanhamento sistemático dos aspectos qualitativos das águas, visando a produção de informações e é destinado à comunidade científica, ao público em geral e, principalmente, às diversas instâncias decisórias.
O monitoramento da bacia do rio Guandu é feito pela Feema e pela CEDAE na Estação de Tratamento com o objetivo de acompanhar os principais indicadores físico-químicos de qualidade de água, bem como a comunidade fitoplanctônica quanto à composição quantitativa e qualitativa e biotestes qualitativos para avaliar a possível toxidez de cianobactérias e de sedimentos.
Segundo os técnicos, o monitoramento é feito de forma sistemática (convencional) e também automática, on line, através de através de seu Centro de Controle Operacional o que permite uma avaliação contínua da qualidade da água, detectando alterações instantâneas e possibilitando agilizar as providências necessárias à solução do problema imediatamente.
Na estação de monitoramento automático do Guandu, são analisados os parâmetros OD, pH, Temperatura, Condutividade e TOC (carbono orgânico total).
Ressalta-se que esse monitoramento pode ser intensificado em função de possíveis eventos adversos, em especial durante o verão.
Normalmente são aduzidos 220m3 de água. No dia de visita foram monitorados 330m3 de água devido às fortes chuvas na semana. Havendo o monitoramento da barragem com a transmissão on-line, os técnicos monitoram o quanto entra de água e quanto sai para o controle da quantidade de químicos para se chegar à qualidade da água esperada. Dependendo da quantidade e da poluição, há a necessidade do desligamento de bombas para o tratamento, caso contrário a qualidade não seria a mesma.
 Estações de amostragem da sub-bacia do rio Guandu
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DIAG – Divisão de Qualidade de Água / DIAG-02 – Serviço de Monitoramento FEEMA
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6. DISCUSSÃO – PROBLEMAS AMBIENTAIS
A água potável tratada na ETA do Guandu é distribuída para o uso de 80% da população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, dos quais apenas 70% são distribuídos para a zona sul do município, porém, para que este tratamento seja eficiente, é necessário que a chamada água bruta não atinja determinados níveis de poluição.
Devido à ocupação urbana da bacia do rio Guandu, as águas do rio Paraíba do Sul possuem níveis de poluição altos, devido sobretudo ao lançamento de esgoto sanitário por parte dos municípios. Mesmo que se considere a auto-depuração natural do rio, existe, próximo à estação de tratamento, águas dos poluídos rios de Queimados, como o rio Abel, o rio dos Poços, o rio Queimados e dos córregos poluídos de Seropédica frequentemente cobertos por vegetação flutuante, pois esses rios tem altíssima concentração de matéria orgânica que alimenta as plantas.
Toda esta poluição poderia provocar um colapso no abastecimento de água dos municípios da RMRJ. Em meados da década de 70, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) foi obrigada a desativar duas estações de tratamento de água. Isso ainda não aconteceu com a ETA do Guandu pois a falta de tratamento do esgoto é compensada com água de diluição.
Outros problemas são os areais, alguns clandestinos, e lançamento em lixões localizados, em grande parte, às margens dos rios da bacia e em encostas, e próximos a aglomerações urbanas, falta de saneamento básico, resultando em uma grave degradação ambiental.
Acresce-se a isto, as perdas de arrecadação, perdas sociais, ligações clandestinas e falta de programas viáveis para o reuso da água quando do tratamento na estação de tratamento.
.Do exposto, pode-se inferir, alguma vulnerabilidade do sistema ETA-Guandu, devido à falta de investimentos necessários para que, num futuro próximo, não haja a falta de água já anunciada há algum tempo.
Há também, a necessidade de vigilância constante sobre a qualidade de suas águas, que atue como um sistema de detecção tanto para os lançamentos contínuos, provenientes de atividades poluidoras, quanto para ocorrências episódicas.
PLANO DE TRABALHO SERLA 2007-2010
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Links Úteis: Comitês Bacias HidrográficasCEDAE - INEA

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